domingo, 30 de dezembro de 2012

Um ano Não te surpreendeste ao ver-me. Sabias que não podia vir no Natal, mas agora é diferente, sempre foi. Achas-me resignada, tristemente resignada, Não! Acho que perdi definitivamente a esperança. Tenho tanta pena, mãe, da minha vida! Tanta pena, que não sei como aguento continuá-la! Que vida foi aquela que vivemos! O que fizemos com a vida! E eu, como é que eu passei por esta vida assim! Quarenta anos, mãe e ... nada. Não fiz nada por ninguém... Não fiz nada por mim... Não tenho nada para dar... Não acredito em mim... Tens razão, mãe, resignei-me... Eu sei ser, eu sei fazer, eu sei construir... Mas, não quero... Acabou-se, mãe! Não vou sonhar mais, esperar mais ... Vou ficar ... e visitar-te porque sei que me esperas. Adeus, mãe. Desculpa, mas não posso mais!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Um sorriso Como gosto de ver um sorriso. Sinto felicidade e esperança na alegria das pessoas. Como me conforta o esforço que cada um ainda faz para acreditar em si e no seu futuro. Com que serenidade eu convivo com aqueles que em silêncio são tolerantes e bondosos.

domingo, 11 de novembro de 2012

Cheguei, mãe! Voltei.Não esperavas por mim! Desculpa, mãe... vou voltar todas as noites para descansar no teu silêncio. Não chores, mãe! As minhas mãos ainda têm utilidade O meu rosto ainda se alegra e os meus pensamentos ainda encontram eco. Mãe, vou voltar todas as noites. Vou descansar a cabeça no teu peito, vou acalmar a minha mente na tua serenidade. Cheguei, mãe! Vim para viver.
O beijo Em cada momento, um beijo. Em cada lágrima, um abraço. Em cada problema, uma esperança. Confusão! Vontade de desistir. Vontade de correr para o abismo. Em cada momento, uma dúvida. Em cada lágrima, uma desilusão. Em cada problema, a morte.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O tempo

Passaram-se os dias, as semanas,
os meses e os anos.
Nasceram os filhos, os netos,
os bisnetos.
Entretanto, a viuvez inundou
o mundo de um preto doloroso,
solitário e vazio.
Agora, os dias são dias e dias e dias.
Não há semanas, meses e anos.
Há o dia em que surge uma dor.
Um dia em que é difícil lembrar algo.
Um dia em que não se consegue esticar o braço
ou levantar as pernas.
Um dia em que em vez de andar, arrasta-se os pés.
Um dia em que não é mais possível levar a colher à boca.
Um dia onde desaparece a força para falar.
Um dia... tristeza
Um dia... tristeza

Silêncio.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O grito

Em redor, os apelos
de uma idade sem razões.

Na passagem, um riso
de uma alma desesperada pelo vazio.

No relógio, os momentos
perdidos de um futuro encoberto.

Esperar que a flor se desfaça em pétalas?
Acreditar que o fogo não vai consumir a paisagem?
Aceitar que as pedras do caminho vão magoar intensamente?

Sim. Esperar, Acreditar e Aceitar
sem deixar de gritar, de lembrar de pensar.

Sim. Gritar.

sábado, 17 de março de 2012

O meu tesouro

Tenho um tesouro especial
que vai crescendo comigo
leva-me à minha infância
e arrasta-me para a velhice
que se faz presença em mim.

O meu tesouro tem vida
em cada palavra de amor,
em cada grito de dor,
em cada beijo de amor.

O meu tesouro sorri,
chora, zanga-se e
acalma-se nos meus braços de mãe.
Como é maravilhoso o meu tesouro!
Como é difícil criar riqueza humana
neste tesouro que todos os dias habita
um mundo rochoso, feio e mau.

O meu tesouro não é só meu
tem vida e vive em cada minuto.
É um tesouro que cresce comigo.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O dia da nossa morte.

O lago está parado,
tão calmo que parece ter adormecido de tristeza.
Não há uma brisa que toque as árvores mais altas.
Apenas existimos.

Foi um dia triste,
aquele em que vestiste o preto da tua perda.
Não era a mim que me perdias
era a tua vida.

Começaste a morrer anos antes
mas nesse dia, consumou-se o destino.
Estou aqui contigo, não para que me perdoes
mas para morrer contigo todos os dias.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Espera por mim

Não vás, preciso de ti.
Não vou conseguir dormir
sem me embalares e
sem cantares a música
que entoavas para o meu filho.

Espera mais um pouco,
não te esqueças que tens
todo o tempo,
és o tempo.

Já vou, mãe
sem ti, não consigo dormir.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Vida

Casa isolada com vista para a lagoa
cuido das flores,
enquanto uma suave brisa
arrefece o meu rosto curvado sobre a terra.

Na janela, minha mãe chama-me:
é hora do chá, de olhar a lagoa
de fixar o rosto materno já desaparecido.

Está na hora... tenho de dormir
A manhã não tarda.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Partida

De repente, num qualquer dia
damos conta que os que estão ao nosso lado
estão a partir.
Para onde vão?
Então e as coisas, os projetos,
a adolescência dos filhos, os preparativos para as festas de formatura....
os netos ...
Já vamos ... mais ainda agora chegamos!
O que levamos? O que deixamos?
Precisamos de mais tempo? sim, mais tempo!!
Não temos. Quem disse?
Não temos.
Vamos... que outros já esperam para ir!
Vamos....

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Bem-vindo,

Descansa um pouco nesta pedra, e bebe deste cantil de água fresca.
Sabes em que penso todos os dias?

nas coisas gostaria de dizer ao meu marido, aos meus filhos .... e não digo.
nos gestos de carinho que gostaria de fazer àquela colega que está a ultrapassar um mau bocado ... e não faço
nos abraços e lágrimas qie deveria partilhar com os meus alunos, com os meus filhos, o meu pai, as minhas avós e  simpplesmente não o faço.
Quantos coisas ...

Este espaço constitu para mim um diário onde desabafo e reflito sobre como o tempo me amarra e me amordaça.

Namaste.

A todos desde ja. fico muito grata pela visita.
09:14:00por Arco Íris