sexta-feira, 19 de abril de 2013
A ilusão de uma vida
A tua partida, mãe
A tua partida ...
Foste ... e agora?
Eu aqui estou ...
a ouvir, a chorar, a sobreviver.
Se aqui estivesses...
Eu podia partir
para a nossa casa branca
junto à lagoa.
Tu ias-me visitar.
És forte ...
não precisavas de ir muitas vezes!
Dançava com o meu vestido branco,
sentava-me à janela a ver a lagoa
e cuidava das tuas flores.
A tua partida, mãe
prendeu-me a esta vida de solidão,
de desencanto e de cansaço.
Vou chorar, mãe
com as minhas lágrimas
ajudo-te a regar as flores do teu jardim.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Regressei mãe ao teu regaço.
Onde vou,mãe buscar força, tempo, esperança?
À tua lembrança.
À tua resistência.
Ao teu silêncio.
Mas, mãe, estou cansada...
Não quero lembrar-me de ti a sofrer, a resistir...
Não quero...
Quero dormir no teu regaço e olhar as lagoas
e ver a mesa de pedro no pátio.
Mãe, embala-me, passa-me a mão pela cabeça
e diz-me que sou forte, que vou aguentar e
que ainda vou ser muito feliz.
Podes mentir-me, mãe, mas embala-me no teu abraço.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Mãe,
Depois de quarenta anos sou capaz finalmente de te perdoar.
Compreendo agora a tua incapacidade de vencer a infelicidade.
Aceito agora a tua passividade face à miséria da vida, à fatalidade de cada dia.
Peço desculpa pelas vezes que te julguei, que tive pena de ti.
Peço perdão pelas vezes que fiquei revoltada por tu não teres feito nada, nada ...
Agora percebo, mãe.
Espero que quando os meus filhos tiverem 40 anos me perdoem também.
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